Blogue de imagens e textos de e sobre a localidade de Vila Viçosa (Évora), Portugal - Coloque-nos nos seus FAVORITOS, para mais fácil acesso

terça-feira, 15 de outubro de 2019

[0042] O verdadeiro drama... dramático!... O escravo negro a decapitar o jovem Alcoforado, por ordem do duque D. Jaime

Os motivos desta decapitação são conhecidos. Quem não os conhecer, poderá ler a obra de Rocha Martins ou procurá-los noutras paragens literárias ou internéticas.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

[0038] Pum! Pum! Pum! Era assim!

Matavam-se pombos, em animados despiques de tiroteio, e casavam-se pombinhos. Isto é, muitos copos-de-água ali tiveram lugar, ai sim, se tiveram...


[0037] Depois do camartelo, uma avenida/praça nova

O objectivo principal foi dar maior visibilidade às muralhas medievais e à fortaleza renascentista. E para isso se arrasaram vários quarteirões, entre estas e mais ou menos a igreja da Misericórdia. Passou-se isto nos finais de 30, inícios de 40 do século findo, no âmbito das campanhas decorrentes da comemoração do duplo centenário da fundação e restauração da nacionalidade. Ainda hoje a decisão suscita polémica mas o que foi feito, feito está. Perdeu-se o aspecto intimista da velha Praça, ganhou-se uma vista longa sobre o conjunto castrense. E nesta foto vemos o espaço recém-obtido, ainda sem as laranjeiras, candeeiros e bancos de mármore que depois vieram. Não existia ainda o Cine-Teatro Florbela Espanca e a fonte seiscentista encontrava-se em local anterior ao de hoje, frente aos Paços do Concelho, depois de já ter estado no Carrascal.

Repare-se naquele belo remate decorativo de canto, em mármore e ferro trabalhado, também desaparecido.




quinta-feira, 5 de setembro de 2019

[0036] Da Trafaria para Vila Viçosa

A senhora que escreve dá alguns erros ortográficos que sugerem ser estrangeira (assina Odile...), embora redija em português. A amiga, espanhola (até o Maçias com cedilha reforça o que atrás dissemos), está na nossa terra, em Julho de 1905. Gente misteriosa... Uma francesa a banhos na Trafaria escreve para uma espanhola que se encontra em Vila Viçosa... Que seriam? E terá o pai de Odile sobrevivido? Para mais fácil leitura, reproduzimos o texto do postal tal como ele surge. Como sempre, eliminámos a possibilidade de identificação. Só não sabemos é como é que o postal sem morada foi parar à senhora Macias... Vila Viçosa, ainda é pequena mas nesta altura ainda era muito mais. Toda a gente se conhecia...

Querida Amiga
Esto na Trafaria, tinha vindo, para passar alguns dias: o meu marido veio no domingo de França, i já se fui porqué na quinta feira a Mama, reçebeu un telégrame dizendo que o Papa estava mal. a minha amiga deve calcular: como a gente ficamos. a Mama fui-se logo embora e o meu marido fui accompagnala: un destes dias escrevolhe uma carta contando tudo: que desgosto se ja o não tornar a ver o meu querido Papa. Aceita muitos abraços da tua amiga. Odile
Beijinhos do Carlinho Saudades da Maria
tua muito amiga de sempre Odile M... (ilegível)

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

[0034] Um bilhete de corrida em Vila Viçosa

Apesar de termos feito pesquisa em jornal diário, não conseguimos saber quem eram as figuras desta corrida da feira de Agosto de 1958. Mas que o bilhete é bem bonito, disso não há dúvida. Mais um interessante contributo de Helder Anão para o AVV. E se a sombra valia 130$00 em 1958, o cartel deve ter tido alguma importância...


terça-feira, 27 de agosto de 2019

[0033] Uma camioneta e um grupo de homens, junto à igreja de N.ª Sr.ª da Lapa

Não se sabe o contexto em que esta fotografia foi feita. Um camião com um logótipo que não se percebe, um grupo de homens, uns mais bem vestidos, outros menos (veja-se as calças daquele que está sentado junto à cabina), talvez gente das pedreiras de mármore, talvez gente de ceifa ou apanha de azeitona, sabe-se lá se de alguma obra, eventualmente das que nos anos finais da década de 30 e iniciais da de 40 se desenvolveram em Vila Viçosa (derrube do quarteirão fronteiro ao castelo, abertura da avenida dos Duques de Bragança, pavimentação do Terreiro do Paço, montagem do pedestal da estátua de D. João IV, etc.). Há uma excepção, no entanto, neste desconhecimento quase total: o terceiro homem a contar da esquerda que vemos na fila dos sentados é o capitão Pereira que residiu naquela a que hoje ainda chamamos Rua da Guarda (Rua Martim Afonso de Sousa). Mais uma foto do arquivo do Helder Anão, a quem de novo se agradece a cedência.


Clique na imagem para a poder ver melhor

[0032] "Carnicerito" de Méjico, o dia fatídico, na praça de touros de Vila Viçosa

Detalhe da foto
José Loreto González López (1905, Tepatitlán, estado de Jalisco, México - 1947, Vila Viçosa), dito "Carnicerito de Méjico" (ver AQUI biografia e AQUI, o monumento inaugurado na sua terra natal, em 2007), morreu de cornada na arena de Vila Viçosa. A colhida deu-se a 14 de Setembro de 1947 e o falecimento teve lugar no dia seguinte, por volta das 6h30 da madrugada. Há muita literatura na Internet sobre o triste caso mas o que aqui nos interessa é observar esta fotografia que nos foi simpaticamente cedida por Helder Anão, a quem encarecidamente agradecemos a oferta. Mostra-nos as cortesias daquela que era a primeira corrida das Festas dos Capuchos desse ano. Toureavam a cavalo Conchita Citron (chilena, quase peruana e muito portuguesa) e Alberto Luís Lopes; a pé, "Carnicerito"  e o novilheiro Etelvino Laureano (que no ano seguinte também foi colhido com gravidade na Monumental de Madrid, o que lhe cerceou a prevista carreira de matador). Quanto aos forcados, não sabemos o nome da equipa que os constituía. Os touros eram  de Estêvão Oliveira (Alcochete), excepto um, dos irmãos Varela, de Reguengos. O touro que matou "Carnicerito", de Estêvão Oliveira, aparece com nome grafado ora como "Sombreirero" ora como "Sombreiro".

Na foto, podemos ver "Carnicerito" envergando trajo de luzes escuro, sexta figura à direita no grupo de homens em primeiro plano do lado esquerdo. E, coisa mais ou menos rara, a praça calipolense aparentemente cheia...


sábado, 10 de agosto de 2019

[0030] 1931, uma marcenaria e carpintaria na Rua do (ou "de") Cambaia, hoje do Dr. António José de Almeida


[0029] Muitos nomes, a mesma realidade

Mosteiro ou Convento de Santo Agostinho ou dos Agostinhos / Igreja de Nossa Senhora da Graça / Seminário de São José / Convento dos Agostinhos / Convento de Santo Agostinho / Panteão dos Duques de Bragança / Seminário de São José e Igreja de Nossa Senhora da Graça da Ordem de Santo Agostinho (fotos de António Rosa e uma de Joaquim Saial)


Foto 24.12.2006 (antes da recente limpeza e pintura)




sexta-feira, 2 de agosto de 2019

[0024] Resposta à pergunta do post anterior

Nenhum, dos mais de 2000 visitantes deste blogue, respondeu à de facto espinhosa questão colocada no post anterior: o que tem o nosso muito (mas mesmo muito) estimado Padre Joaquim Espanca a ver com a Torre Eiffel? Ora, sem grandes preocupações de alongamento e profundidade (pois existe extensíssima literatura na e fora da Internet sobre a torre, sua génese e enquadramento), aqui vai a resposta:

De 1887 a 1889 construiu-se a Torre Eiffel, destinada a abertura da Exposição Universal de 1889. A vasta mostra desenrolou-se em edifícios vários e Portugal teve o seu pavilhão no Cais (Quai) de Orsay, junto ao Sena. Ali, para além de muitos outros produtos que não vêm agora ao caso, mostrava-se bom azeite português. E dentre ele, o de 58 (!!!) produtores de Vila Viçosa (di-lo o catálogo), entre os quais o elaborado pelo douto sacerdote que surge com um dos apelidos errado (Esperança, em vez de Espanca) mas que mesmo assim dá para o reconhecermos. Os restantes 57, também estão identificados, alguns de igual modo com gralhas no nome ou nos apelidos, muitos deles com família ainda conhecida na terra dos duques e... de ancestrais bons azeites... Aí está, como o sumo da azeitona calipolense (de um dos Espancas e de dezena de confrades seus) e o ferro da torre se relacionaram naquele longínquo ano de 1889...

sábado, 27 de julho de 2019

[0022] Uma tese sobre assunto calipolense


Trata-se de tese de elevado interesse para Vila Viçosa, defendida recentemente na Universidade Nova de Lisboa (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas) e orientada por um colaborador de longa data da revista de cultura Callipole, o Dr. David Cranmer.

Título: Os Responsórios das Matinas de Quinta-feira Santa nos livros de Coro da Capela Real de Vila Viçosa

Autor: SARAIVA, Ana Sofia Silva

Orientador: CRANMER, David

Palavras-chave:
Critical edition
Polyphony
Analysis
Paço Ducal of Vila Viçosa
Tomás Luis de Victoria
Fernando de Almeida
Manuel Soares
Análise
Edição crítica
Polifonia

Data de Defesa: 23.Nov.2018

Resumo: O espólio do arquivo musical do Paço Ducal de Vila Viçosa contém 20 volumes de polifonia renascentista tanto de compositores portugueses como estrageiros, sendo estes maioritariamente espanhóis. O presente estudo foca-se em dois conjuntos de Responsórios das Matinas de Quinta-feira Santa que se encontram nos volumes VV. A6/J12 e VV. A9/J15 dos compositores Tomás Luís de Victoria, Manuel Soares e Fernando de Almeida. Foi realizada a edição crítica de todos os Responsórios e Lamentações da autoria de Manuel Soares e de Fernando de Almeida, com o objetivo não só de possibilitar a análise das suas peças, mas principalmente o de contribuir para a divulgação do espólio de Vila Viçosa e permitir a interpretação atual deste repertório em público. Partindo da comparação de ambos os conjuntos musicais, foi realizada a análise de todas as obras com vista a contribuir para a compreensão e identificação de características estílicas pessoais de cada compositor.


Designação: Ciências Musicais

Aparece nas colecções: FCSH: DCM - Dissertações de Mestrado

[0021] Emblema da Sociedade de Tiro aos Pombos (frente e verso)


quarta-feira, 24 de julho de 2019

[0019] Sobre o Real Convento das Chagas de Cristo


Arquivo Nacional da Torre do Tombo



CONVENTO DAS CHAGAS DE VILA VIÇOSA

NÍVEL DE DESCRIÇÃO
Fundo

CÓDIGO DE REFERÊNCIA
PT/TT/CCVV

TIPO DE TÍTULO
Atribuído

DATAS DE PRODUÇÃO
1589 A data é certa a 1872 A data é certa

DIMENSÃO E SUPORTE
72 liv.; papel

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR
O Convento das Chagas de Vila Viçosa era feminino e pertenceu primeiro à Província da Piedade e depois à Província dos Algarves, da Ordem dos Frades Menores.

Em 1530, foi fundado, por bula de Clemente VII, com o título de Real Mosteiro das Chagas de Cristo, a pedido do Duque de Bragança D. Jaime, para panteão das duquesas e para morada de religiosas clarissas.

Em 1534, o papa Paulo III confirmou a bula anterior, e concedeu autorização para a fundação do Convento mais faustoso da vila, porque quase todas as professas provinham da melhor nobreza do Alentejo e do reino.

Foi sua primeira abadessa madre Soror Maria de São Tomé, freira professa da Conceição de Beja, irmã de Dona Joana de Mendonça, mulher de D. Jaime, duque de Bragança.

O convento tinha sido anteriormente ocupado por freiras agostinhas, que saíram para fundar o Convento de Santa Cruz de Vila Viçosa.

A instituição foi suportada com a anexação ao cenóbio das comendas de São Miguel de Baltar e Santo Estêvão da Chancelaria, com a sua igreja de São Bartolomeu da Margem.

Mas só depois de 1539, a comunidade se instalou.

No reinado de D. João V, foi remodelado o edifício.

Em 1834, no âmbito da "Reforma geral eclesiástica" empreendida pelo Ministro e Secretário de Estado, Joaquim António de Aguiar, executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), pelo Decreto de 30de Maio, foram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e casas de religiosos de todas as ordens religiosas, ficando as de religiosas, sujeitas aos respectivos bispos, até à morte da última freira, data do encerramento definitivo.

Os bens foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Em 1905, foi encerrado, por falecimento da última freira.

HISTÓRIA CUSTODIAL E ARQUIVÍSTICA
Em 1909, a 5 de Junho, a documentação do cartório do Convento das Chagas de Vila Viçosa foi incorporada no Arquivo da Torre do Tombo.

O Livro 4 "Livro de distribuição do Juízo da Provedoria da Comarca", datado de 1805-1834, foi retirado deste fundo, por não lhe pertencer.

A documentação foi sujeita a tratamento arquivístico, no final da década de 1990, empreendido por técnicos da Torre do Tombo e por investigadores externos. Foi abandonada a arrumação geográfica por nome das localidades onde se situavam os conventos ou mosteiros, para adoptar a agregação dos fundos por ordens religiosas. Desta intervenção resultou o facto de cada ordem religiosa passar a ser considerada como grupo de fundos, e simultaneamente como fundo, constituído a partir da documentação proveniente da casa-mãe ou provincial, alteração esta que provocou a alteração de cotas nos fundos intervencionados.

Neste caso, o livro 4 "Livro de distribuição do Juízo da Provedoria da Comarca", datado de 1805-1834, foi retirado deste fundo, por não lhe pertencer.

Foram constituídas séries documentais segundo o princípio da ordem original sempre que possível (com base em índices de cartórios quando existentes), correspondendo à tipologia formal dos actos, e que, na generalidade, é documentação que se apresenta em livro. A documentação que se encontra instalada em maços foi considerada como uma colecção ao nível da série, com a designação de 'Documentos vários', não tendo sido objecto de intervenção.

Este projecto deu origem à publicação da monografia designada 'Ordens monástico-conventuais: inventário', com a coordenação de José Mattoso e Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha.

ÂMBITO E CONTEÚDO
Contém o registo de actas das proposições que a abadessa fez à comunidade em virtude de uma denúncia, registo de dotes, de receita e despesa, de inventários da portaria, celeiro, rouparia, sacristia, refeitório e tesouro, índice dos livros do convento, entre outros.

Inclui o subfundo da Confraria das Almas.

Guia de Fundos Eclesiásticos; Ordem dos Frades Menores - Província dos Algarves; Feminino

SISTEMA DE ORGANIZAÇÃO
Organização em séries documentais correspondendo à tipologia formal dos actos.

INSTRUMENTOS DE PESQUISA
ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000- . Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em actualização permanente.

INSTITUTO DOS ARQUIVOS NACIONAIS/TORRE DO TOMBO
"Ordens monástico-conventuais: inventário: Ordem de São Bento, Ordem do Carmo, Ordem dos Carmelitas Descalços, Ordem dos Frades Menores, Ordem da Conceição de Maria." Coord. José Mattoso, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2002. XIX, 438 p. ISBN 972-8107-63-3. (L 615) p. 339-344

Inventário do cartório do Convento das Chagas de Vila Viçosa entregue no Arquivo da Torre do Tombo em 5 de Junho de 1909 (C 462).

UNIDADES DE DESCRIÇÃO RELACIONADAS
Portugal, Biblioteca Pública de Évora.

Portugal, Torre do Tombo, Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça mç. 659, n.º 5.

Portugal, Torre do Tombo, Ministério das Finanças, cx. 1912.

NOTAS DE PUBLICAÇÃO
"Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico". Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: Livros Horizonte, 2005. ISBN 972-24-1433-X. p. 333-334.
FONTES, João Inglês; SERRA, Joaquim Bastos; ANDRADE, Maria Filomena - Inventário dos fundos Monástico-conventuais da Biblioteca Pública de Évora. Lisboa, Évora: Edições Colibri, Universidade de Évora, CIDEHUS, 2010. ISBN 978-989-689-048-3. p. 157.

DATA DE CRIAÇÃO
5/4/2011

ÚLTIMA MODIFICAÇÃO
18/5/2018