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domingo, 19 de dezembro de 2021

[0249] Quando não há papel a jeito, vai mesmo numa fotografia do pai Espanca

Contabilidade doméstica, feita no verso de uma fotografia de Florbela Espanca, realizada no estúdio de João Maria, seu pai. A foto pertence ao espólio de Florbela Espanca existente na Biblioteca Nacional de Lisboa. Azeite, banha, cevadinha, cafe, arroz, que a vida não é só poesia e também requer coisas mais prosaicas... 



domingo, 28 de novembro de 2021

[0218] Livro famoso sobre (ou contra) Florbela Espanca, do padre José Augusto Alegria

O livrinho tem 176 páginas, numa edição do Centro de Estudos "D. Manuel Mendes da Conceição Santos", Évora, e foi composto e impresso na Tipografia Ala Esquerda, de Beja, em 21 de Dezembro de 1955. Há 66 anos, portanto. Com prefácio, 11 capítulos e cinco páginas e meia de "palavras finais", é um ataque descabelado ao busto de Évora da poetisa (escultura de Diogo de Macedo e pedestal do arquitecto Jorge Segurado) e à própria, em geral. O cónego Alegria, homem erudito, de longa bibliografia e musicólogo de prestígio (é dele, por exemplo, o livro "História da Capela e Colégio dos Santos Reis de Vila Viçosa, ed, Fundação Gulbenkian, 1983), desancou nesta obra cuja capa abaixo reproduzimos a poetisa calipolense que não podia "ver" nem pintada!... Coisas!... Ainda assim, está bem escrito e a leitura é bastante divertida...

O exemplar conserva a cinta original. Custava 17$50, na altura da sua saída e ostenta o seguinte "Aviso prévio":

     A leitura deste livro é reservada aos cristãos com fé.

     Aos cristãos sem fé, servirá de revulsivo e por isso não é de aconselhar.

     Aos outros, aos sem fé nenhuma, filhos legítimos ou bastardos de todas e quaisquer ideologias chamadas libertadoras, a todos se avisa do perigo desta leitura.

Antes disso, a seguinte dedicatória:

     Às mães e filhas de todos aqueles para quem este livro não for um escândalo.


[0217] Florbela "maguada"... cada vez mais valiosa

O "Livro de Mágoas" de Florbela Espanca, editado em 1919 na Tipografia Maurício (Lisboa), saiu com título grafado como "Livro de Máguas". Eis o preço que hoje atinge (leilão recente). Esperemos que alguns calipolenses tenham esta edição. Se assim for... estão de grande!


 


[0216] Pequenas histórias "florbelianas"

O túmulo de Florbela Espanca, não sendo peça de elevado nível artístico, é no entanto perfeitamente digno e de modo algum envergonha os pergaminhos da poetisa e da terra em que esta veio ao mundo. Simples e discreto, cumpre a função a que o destinaram, engrandecido pela qualidade do belo mármore que lhe dá forma. Porém, a inscrição "Aqui jaz Florbela Espanca" nasceu com um acento a mais em "jaz". Em data incerta, mas anterior a Dezembro de 2006 (altura em que fizemos a foto que se pode observar no post anterior), pedimos à autarquia da altura que emendasse o incomodativo erro, o que de pronto foi efectuado, repondo-se assim a ortografia correcta que o anterior "jáz" feria, ainda mais em morada eterna de gente de escrita...

Na mesma altura, e relativo ao mesmo espaço fúnebre, fizemos pedido contrário: que fosse colocado um acento em "Magoas" que passou finalmente a "Mágoas" - o que também foi respondido de modo afirmativo pela autarquia. Assim, pouco depois, para além de se ter raspado o acento a mais, colocava-se o que estava a menos. Acontece que neste caso o trabalho revelou-se de pouca profundidade - ou seja, poucos anos após, a tinta da pintura do acento pouco escavado, com muito sol e chuva em cima, já estava praticamente  desaparecida. O que acontecerá, após a actual limpeza? Aqui fica a nota, pelo menos, para quem a quiser ler... e actuar em conformidade.

Foto Rádio Campanário

Foto Rádio Campanário (pormenor)

[0215] Limpeza do túmulo de Florbela Espanca

O AVV aplaude vivamente a meritória iniciativa do Município de Vila Viçosa que não é a primeira, mas que já estava a ser necessária e aproveita para fazer um exercício de imaginação:

Foto Joaquim Saial, 24.12.2006


Imaginemos!...

Imaginemos que os "Adoradores de Florbela de Freixo de Canhão às Costas" vão a Vila Viçosa e se lembram de colocar uma placa sobre o seu túmulo, a comemorar a visita…

Imaginemos que os "Amigos de Florbela de Sarilhos Enormes" vão a Vila Viçosa e se lembram de colocar uma placa sobre o seu túmulo, a comemorar a visita…

Imaginemos que os "Admiradores de Florbela de Alguidares de Baixo" vão a Vila Viçosa e se lembram de colocar uma placa sobre o seu túmulo, a comemorar a visita…

Imaginemos que os "Seguidores de Florbela de Vila Velha de Idosos" vão a Vila Viçosa e se lembram de colocar uma placa sobre o seu túmulo, a comemorar a visita…

Imaginemos que os "Fanáticos de Florbela da Aldeia dos Poetas" vão a Vila Viçosa e se lembram de colocar uma placa sobre o seu túmulo, a comemorar a visita…

Imaginemos que mais 346 grupos de amigos de Florbela com a mesma ideia (de Portugal e quiçá do Burkina Faso ou da Mongólia) visitam o seu túmulo...

Imaginemos!...

Imaginemos!...

Imaginemos!...

E por aqui nos ficamos…

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

[0193] Erros persistentes, falhas que não desaparecem

Estas duas enganosas histórias têm sido repetidas e repetidas e repetidas!... 

Raramente se conta que o castelo medieval de Vila Viçosa desapareceu, para dar lugar à fortaleza quinhentista que hoje lá vemos. O leitor não é informado de que o que resta do tempo medievo são as muralhas (a cerca, muito restaurada) e alguns adereços do castelo antigo implantados no novo e que aquele "castelo" não é do século XIII. Raios!...

Quanto à "estátua" de Florbela Espanca, há de facto uma mas não em Vila Viçosa e sim em Oeiras, de Francisco Simões, no Parque dos Poetas. E uma escultura abstracta, intitulada "Homenagem a Florbela Espanca", de Armando Martinez, no Parque Dr. Manuel Braga, em Coimbra (freguesia de Almedina). O que há ali em Vila Viçosa é… UM BUSTO! UM BUSTO! UM BUSTO! UM BUSTO! UM BUSTO! Da autoria de Raul Xavier. Chega? Safa!...


quarta-feira, 5 de maio de 2021

[0136] O texto de António Ferro sobre Florbela Espanca, de 24 de Fevereiro de 1931, no "Diário de Notícias" (ver post anterior)

"Diário de Notícias", 24.02.1931, pág. 1 - Cópia exacta da grafia original

UMA GRANDE POETISA PORTUGUESA

Busto de FE, por Diogo de Macedo,
Jardim Público, Évora
Inaug.1949
Nunca vi Florbela Espanca, nunca lhe falei, nunca a lisonjeei, nunca fui lisonjeado por ela. Da sua personalidade conhecia, apenas, juntamente com o seu nome ingénuo, precioso, quase ridículo, alguns sonetos interessantes mas filhos de outros sonetos, sujos de influências, com dedadas de outros poetas… E Florbela Espanca ficou arrumada, no meu ficheiro, durante muito tempo, como uma das poetisas da colmeia, como uma das cigarras do nosso lirismo inofensivo, de «palcos e salas»…

Passaram-se anos e eu deixei de ouvir falar e Florbela, como deixo de ouvir falar, de quando em quando, em certas poetisas que encontraram no casamento a rima difícil que procuram.

Há poucos meses, porém, pegando numa revista literária, , topei com um soneto que entrou pelos meus olhos dentro, um soneto que fecha com estes versos maravilhosos, versos que justificam Paul Valery quando diz «que o lirismo é o desenvolvimento de uma exclamação»:

            Sou eu! Sou eu! A que nas mãos ansiosas

            Prendeu da vida, assim como ninguém,

            Os maus espinhos sem tocar nas rosas!

Fiquei impressionado, confesso, mas duvidoso: «Quem sabe? Talvez fosse por acaso…» Mas pouco depois, na semana seguinte topei com outro soneto e compreendi, definitivamente, que não estava diante duma poetisa de «acaso», como ao princípio julgara, mas diante de uma grande poetisa, duma poetisa-poeta. Nesse momento, devo dizê-lo, havia já quem fizesse justiça completa a Florbela Espanca e é lealdade registar os nomes das suas companheiras Teresa Leitão de Barros, Laura Chaves, Fernanda de Castro e outros nomes. com certeza, que procuravam trazê-la para a luz e para a glória! De repente, quando já estava no prelo o seu livro «Charneca em Flor», o beijo trágico da morte, o beijo da morte, uim beijo mutuo consentido, um beijo pedido... Esse beijo iluminou, bruscamente, todos os seus versos, timbrou-os, serviu de ex-libris a Florbela, cujo nome deixou e ser ridiculo e precioso, cujo nome ganhou um sabor medianimico, espectral. Florbela matou-se, «desfolhou-se» como uma flor cansada e a sua morte foi um pingo de lacre vermelho sobre  a sua inquietação, sobre a sua tortura... A sua morte dramatica, angustiosa - selo da sua arrepiante sinceridade, soma dos seus versos... Se uma duvida perturba a nossa emoção, na leitura do seu livro, se um soriso de vaga ironia pretende secar os nossos olhos humidos, ha logo uma voz intima  que nos diz: «Pois sim, amas ela matou-se...» E o perfil aereo, o perfil astral de Florbela Espanca acompanha-nos, numa flutuação, até ao ultimo verso de «Charneca em Flor».

Que disseram os jornais sobre a sua morte? Nada... Duas linhas apagadas na necrologia, onde não havia, sequer, uma referencia aos seus versos, aos seus versos sinceros, crucificados, enormes! Nem um comentario, nem um adjectivo, nada! Apenas eu e mais alguns, poucos, lemos a sua morte, recitámos a sua morte, como um dos seus mais belos sonetos, o soneto-redoma de todos os seus versos...

Fiquei à espera do seu livro, do regresso da sua alma... Entretanto, o «Diãrio de Notícias», na sua página «De Norte a Sul», publicava um artigo comovido, enternecido, de Celestino David, em que se anunciava, em lindas palvras de justiça, a próxima aparição da «Charneca em Flor», da charneca em dor... A ilustrar esse artigo, um soneto inédito do livro, um soneto que apagou todas as possíveis dúvidas que pudessem existir ainda no meu espírito sobre o grande caso da poesia portuguesa, de lirismo portuguès, que é o caso dramático de Florbela Espanca. Esse soneto chama-se «Pobre de Cristo» e é todo o coração do Alentejo em labareda e cinza e é toda a nostalgia da terra natal, que se perdeu, a terra familiar e estranha, que nós conhecemos e que já não nos conhece... Não resisto à tentação de transcrever de novo, essa pequena obra-prima que me fez aguardar a «Charneca em Flor», com alvoroço, como se espera uma relíquia. Eis o soneto:

            Ó minha terra na planície rasa,

            Branca de sol e cal e de luar,

            Minha terra que nunca viste o mar,

            Onde tenho o meu pão e a minha casa.


            Minha terra de tardes sem uma asa,

            Sem um bater de folhas…a dormitar…

            Meu anel de rubis a flamejar,

            Minha terra moirisca a arder em brasa!


            Minha terra onde meu irmão nasceu

            Aonde a mãe que eu tive e que morreu

            Foi moça e loira, amou e foi amada!


            Truz... truz... truz... Eu não tenho onde me acoite

            Sou um pobre de longe, é quasi noite,

            Terra, quero dormir, dá-me pousada!

No próprio dia em que li este soneto, cujos versos se agarraram a mim, como vozes, e nunca mais me largaram, parti para Coimbra, para a cidade-poetisa, trovadoresca, «a gravura suspensa que Portugal oferece aos olhos do sud-express». E foi em Coimbra, onde as casas dos estudantes, alcandoradas nos telhados, nas ruas estreitas, são como ninhos em árvores centenárias

 

[0135] O texto de António Ferro sobre Florbela Espanca, de 24 de Fevereiro de 1931, no "Diário de Notícias"

A 24 de Fevereiro de 1931, na capa do "Diário de Notícias", saía pela pena de António Ferro (1895-1956), jornalista, publicita, escritor e futuro Secretário da Propaganda Nacional, o primeiro grande texto sobre Florbela Espanca, desaparecida pouco antes, a 8 de Dezembro do ano anterior. 

O texto é muitas vezes citado, quando se fala da poetisa calipolense, mas há grande dificuldade em encontrá-lo, exceptuando-se o caso dos frequentadores de bibliotecas e hemerotecas – ou seja, o grande público não o conhece.

Fomos dar uma volta ao nosso "baú calipolense" e lá estava o dito, mandado reproduzir há anos a partir de microfilme na Biblioteca Nacional de Lisboa e arquivado numa folha A4 quase como estava no periódico (na altura foi necessário fazer um arranjo de recortes, para caber numa só página – mas o texto está todo, bem como a fotografia e legenda da mesma).

Aqui fica pois, obviamente ilegível, dadas as limitações do mecanismo do blogue. Mas estamos a transcrevê-lo e em breve estará facilitado, para quem o quiser ler ou copiar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

[0120] Homenagem a Florbela Espanca em Vila Viçosa, por altura do 90.º aniversário da sua morte

Tal como havíamos anunciado, decorreu hoje, pelas 10h00, uma singela homenagem a Florbela Espanca, passados exactos 90 anos sobre a sua morte.

A cerimónia foi organizada por um grupo de Calipolenses e pelo Grupo "Amigos de Vila Viçosa", contando com a presença da Sociedade Filarmónica União Calipolense e com o apoio da Junta de Freguesia de Conceição - São Bartolomeu.

A deposição das coroas de flores teve lugar junto ao monumento/busto de Florbela (projecto da autoria do escultor luso-macaense Raul Xavier, com plinto do arquitecto Raul David) na Praça da República em Vila Viçosa.

NOTA: a iniciativa partiu do professor Manuel Talhinhas e as imagens de reportagem foram-nos enviadas gentilmente pelo Dr. Tiago Salgueiro.




sábado, 21 de novembro de 2020

[0119] A memória de Florbela Espanca, sempre presente em Vila Viçosa

Um grupo de figuras calipolenses, entre as quais para já se incluem o professor Manuel Talhinhas (promotor da iniciativa) e membros do Grupo Amigos de Vila Viçosa e da Sociedade Filarmónica União Calipolense (outros convites estão a ser enviados) irá depor no dia 8 de Dezembro, pelas 10h00, "uma flor" no monumento à poetisa, situado frente ao Cine-Teatro que tem o seu nome, no topo da Avenida Bento de Jesus Caraça.

Apesar das complexas limitações que a actual situação impõe, espera-se que os calipolenses participem dentro do possível nesta iniciativa.